Levei minha alma para passear – Serra da Canastra, MG

Eu penso que quando o coração deseja algo intensamente e acrescenta se uma boa dose de otimismo a isso, dar errado é algo improvável.

Queríamos aproveitar o feriado prolongado e conhecer partes da Serra da Canastra que ainda não havíamos visitado (essa foi minha terceira visita à esse paraíso) e já de antemão afirmo que foi uma experiência maravilhosa e renovadora.

Durante o planejamento da viagem não conseguimos reservar o camping, pois não havia mais vagas para a data que queríamos. Decidimos partir mesmo assim e improvisar um lugar para montar as barracas quando chegássemos lá.

No entanto o céu estava conspirando ao nosso favor e pouco antes de pegarmos a estrada recebemos o contato do dono do camping (Willian) informando que haviam surgido algumas vagas, não pensamos duas vezes e confirmamos nossa estadia por lá.

Saímos de Uberlândia (Hélder, Cássia e eu) no dia 31/12 por volta das 15:00 e chegamos em São João Batista da Canastra pouco antes das 20:00. Fizemos o check in, montamos acampamento e logo estávamos prontos para receber 2016 respirando os ares da Serra.

O Camping Vila Canastra tem excelente estrutura que conta com banheiros feminino e masculino, mesa ampla para as refeições, geladeira, fogão à lenha, tomadas e um banco em lugar estratégico para se observar o nascer do sol.

Pagamos R$ 150,00 por pessoa para acamparmos por três dias, no entanto o proprietário nos disse que fora de períodos festivos (feriados prolongados) a diária custa R$ 30,00.

Havia uma festa de réveillon no bar do Velho Chico que fica em frente à pracinha da igreja, mas nós resolvemos encontrar um “cantinho” e comemorar ao nosso estilo.

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Pronta para receber um ano cheio de novas oportunidades.

Na manhã seguinte ficamos um pouco receosos quanto ao roteiro que traçamos devido às condições da estrada dentro do parque, pois estávamos em um carro de passeio, no entanto mais uma vez os céus nos deu aquela força e fomos convidados por um casal lindo e fofo (Hélio e Giulia) a fazermos juntos a trilha rumo a Cachoeira do Fundão (eles estavam em uma carro 4×4).

Partimos rumo uma das cachoeiras mais lindas da Serra da Canastra.

O caminho não foi fácil, as estradas dentro do parque estão bem danificadas devidas as chuvas e a falta de manutenção constante.

Em certo ponto do caminho é sensato deixar o carro e seguir a pé, mas isso não foi problema para uma turma cheia de energia e ansiosa por viver emoções que só são possíveis quando se está em meio à natureza.

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Estar no mato me faz muito bem!

Andamos 4,5 km até a entrada da fazenda onde fica a Cachoeira e de lá mais 1,5 km de trilha de nível médio.

Recomendo certo preparo físico para os que desejam se aventurar no Fundão, pois são aproximadamente 12 km ida/volta  e há também muitas subidas no trajeto. Para mais informações leia também Serra da Canastra – O paraíso é logo ali.

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O caminho é longo, mas no final os esforços são recompensados.

O percurso foi regado a troca de experiências e boas risadas, sendo assim tão logo chegamos ao nosso destino. E que destino!!!

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Visão maravilhosa.


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Ahhhh, Fundão!

Devido aos fatores que citei acima poucas pessoas arriscam fazer esse percurso, nessa ocasião éramos os únicos visitantes do local.

Meu propósito nessa viagem era resolver algumas questões comigo mesma. Acho que o mato é um território neutro onde eu consigo encontrar equilíbrio pleno e enxergar com clareza qualquer situação. E foi ali no Fundão que eu olhei bem no fundo da minha alma e comecei a me despir das aflições cobriam meu coração. Ahhh como é maravilhoso reivindicar a leveza que tanto amo e obter sucesso imediato!!!

Fizemos o percurso de volta com a certeza de que o esforço físico é sempre compensado pelos encantos que a mãe natureza guarda para os que a respeitam e a amam desmedidamente.

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O dia seguinte seria de mais surpresas e encantamento.

Levantamos cedinho para ver o nascer do sol, mas as nuvens resolveram fazer uma imensa cortina na frente e hora ou outra dançavam timidamente deixando apenas alguns raios aparecerem por pequenas frestas. Mesmo assim foi lindo demais!!!

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Preparamos nosso café e seguimos no mesmo grupo (Cássia. Hélder, Hélio, Giulia e eu) rumo a Cachoeira Da Parida que fica a 66 km do Vilarejo que estávamos. Meu entusiasmo era sem tamanho, pois só conhecia essa cachoeira por fotos e estava muito ansiosa para mais uma experiência que com certeza seria encantadora.

A Cachoeira da Parida fica numa propriedade particular e é cobrado o valor de R$ 10,00 por pessoa para visitação.

A trilha que leva a segunda queda (são duas quedas) é bem tranquila. Cheguei e imediatamente me encantei pela coloração da água e a vegetação, eu nem imaginei que o melhor estava por vir.

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Para chegar à primeira queda nadamos cerca três metros no Poço do Macaco (que é o poço da segunda queda) e “escalamos” uma pequena parede de pedras que dá acesso ao canyon. Simmmmmm, a queda principal fica em um canyon lindo de viver.

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Seguimos o curso da água que serpenteia o canyon com muito cuidado, pois há muitas pedras escorregadias e após uma caminhada que classifico de intensidade moderada avistamos a cachoeira guardada bem no fundo do canyon.

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Canyon à dentro.

Me senti pequena diante de tamanha grandeza!

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Atravessei o poço e fui até a queda deixar a água gelada massagear minhas costas e levar qualquer resquício de dor e as sombras de dúvidas que por algum motivo ainda me rondavam.

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A energia desse lugar é maravilhosa e indescritível.

Curtimos um pouco mais e partimos para a Cachoeira do João Inácio que fica no caminho de volta para São João da Canastra.

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Cachoeira João Inácio.

A Cachoeira do João Inácio também fica numa propriedade particular e é cobrado o valor de R$ 10,00 por visitante. É uma queda pequena, mas não deixa nada a desejar no quesito beleza. O poço possui três tons de verde, é bem amplo e excelente para mergulho.

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Amizade que se fortalece a cada dia.

Rimos muito, brincamos, nadamos e aproveitamos o retorno para apreciar a paisagem e o espetáculo de cores que sol deixou no céu antes de partir.

Ahhhhh, e teve momento filosófico também, né Cássia Oliveira?

O bom de viajar com pessoas que estão na mesma sintonia é que o pacote fica completo: risos despretensiosos, confissões, conselhos, cumplicidade e troca de experiência. Super recomendo!

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<3 <3 <3

No terceiro dia havíamos planejado visitar a parte alta da cachoeira Casca D’anta, no entanto o dia amanheceu chuvoso. Nos despedimos de nossos novos companheiros de aventura e decidimos voltar para casa mais cedo e curtir com calma o caminho de volta. Que maravilha foi o caminho de volta!!

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Cabeça nas nuvens e os pés fora do chão.

Chegamos em casa com o corpo cansado, alma leve, coração agradecido, na mente a clareza do próximo destino e a certeza de que “Quando desejamos o bem, o bem nos deseja também.”

É fato que atraímos energias similares as que emitimos e que o céu (universo) sempre vai conspirar a favor daqueles que desejam encontrar seu caminho por intermédio de escolhas que os aproximarão cada dia mais da sua essência.

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Graças, graças por tudo!!!

Nota importante sobre o camping

Tivemos certa dificuldade para dormir devido nem todos os hóspedes do camping estarem na mesma “vibe”.

Falamos com o proprietário a respeito do fato e ele nos assegurou que estabelecerá regras de convivência para que cada pessoa curta à sua maneira sem desrespeitar o espaço do outro. Ainda sugeriu que para quem procura sossego total o melhor período para acampar por lá com certeza não é nos feriados prolongados.

**Gasto total  R$ 330,00 por pessoa (combustível, camping, alimentação e entradas no parque).**

Abraços de luz e até a próxima aventura!

 

Apaixonado por viagens e aventuras, idealizador do projeto 360go.

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