Cientistas descobriram a primeira explosão rápida de ondas de rádio que bate em um ritmo constante e que o som repetitivo misterioso está vindo dos arredores de outra galáxia.

Por: Vitor Cherulli

Apaixonado por viagens e aventuras, idealizador do projeto 360go, que visa divulgar as atrações turísticas do Brasil.

      Uma misteriosa fonte de rádio localizada em uma galáxia há 500 milhões de anos-luz da Terra está pulsando em um ciclo de 16 dias, como um relógio, de acordo com um novo estudo.
       Isso marca a primeira vez que cientistas detectaram periodicidade nesses sinais, que são conhecidos como explosões rápidas em ondas de raio (em inglês FRBs), e é um passo bem importante para descobrir suas fontes.


FRBs são uns dos quebra cabeças mais atormentadores que o universo lançou aos cientistas nos últimos anos.

         Visto pela primeira vez em 2007, essas poderosas explosões de rádio são produzidas por fontes energéticas, embora ninguém tenha certeza do que sejam.

 Tipos de FRBs e sua periodicidade

         FRBs são também misteriosos porque eles podem ser pontuais ou repetidores, o que significa que algumas explosões aparecem apenas uma vez em determinada parte do céu, enquanto outros emitem diversos flashes para a Terra.
        Até agora os pulsos dessas repetidas explosões pareciam um pouco aleatórios e discordantes em seu tempo. Mas isso mudou ano passado, quando o Projeto Canadense de Experimento em Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio e Explosões Rápidas de Ondas de Raio

(CHIMA/FRB nas suas siglas em inglês), um grupo dedicado à observar e estudar as FRBS, descobriram que um repetidor chamado FRB 180916.J0158+65 tinha uma cadência regular.


         A equipe CHIME/FRB acompanhou a recorrente explosão entre Setembro de 2018 e outubro de 2019 usando ao rádio telescópio CHIME na Columbia Britânica. Durante esse período, as explosões foram agrupadas em um período de quatro dias, e pareciam se desligar pelos 12 dias seguintes, em um ciclo total de cerca de 16 dias.


Alguns ciclos não produziram nenhuma explosão visível, mas todos os que produziram estavam todos sintonizados nos mesmos intervalos de 16 dias.
“Nós concluímos que essa é a primeira periodicidade detectada de qualquer tipo em uma fonte de FRB” a equipe disse em um artigo publicado no servidor de pré-impressão arXiv no fim de janeiro. “A descoberta de uma periodicidade de 16.35 dias em uma fonte de FRB repetida é uma pista importante para a natureza desse objeto.”

         De onde vêm essas ondas de rádio?

        Recentemente, cientistas rastrearam esse FRB específico em uma galáxia chamada SDSS J015800.28+654253. 0, que está a meio bilhão de anos-luz da Terra. Pode parecer uma grande distância, mas o FRB 180916.J0158+65 é na verdade o FRB mais próximo que já foi detectado.


        Mas apesar de saber onde está, ainda não sabemos o que é. Até esse ponto sabemos que a batida de um FRB sugere que pode ser modulada pelos arredores. Se a fonte do FRB está orbitando um objeto compacto, como um buraco negro, então ele poderá transmitir apenas os sinais para a Terra em determinado ponto de período orbital. Esse cenário pode potencialmente corresponder ao reconhecível ciclo de 16 dias.


           Também é possível que estejamos testemunhando um sistema binário que contém uma estrela massiva e um núcleo estelar super denso conhecido como estrela de nêutrons, de acordo com um estudo publicado no arXiv na quarta feira por uma equipe separada que analisou os mesmos dados. Nesse modelo, a estrela de nêutrons enviaria rajadas de rádio, mas esses sinais seriam eclipsados periodicamente por ventos opacos que saíam de seu companheiro gigante.


         Outro cenário é o que o ritmo FRB não é controlado por outro objeto, e está enviando pulsos diretamente da fonte. Os cientistas sugeriram anteriormente que explosões de estrelas de nêutrons altamente magnetizadas, chamadas magnetares, podem ser a fonte de alguns FRBs.               Entretanto, como os magnetares tendem a girar a cada poucos segundos, um ciclo de 16 dias não corresponde ao perfil esperado de um FRB baseado em magnetar.


        Por fim, a equipe CHIME/FRB espera encontrar padrões semelhantes no punhado de explosões repetidas conhecidas para ver se esses ciclos são comuns.


       Os pesquisadores também planejam monitorar atentamente o FRB FRB 180916.J0158+6 enquanto está ativo para avistar quaisquer detalhes que podem indicar sua identidade.


      Os FRBs confundem os cientistas há mais de uma década, mas novas instalações como a CHIME, estão revelando novos detalhes sobre esses eventos estranhos a cada ano.


      Embora ainda não saibamos o que está emitindo esses sinais bizarros, a descoberta de um ritmo claro de uma dessas fontes fornece uma vantagem significativa para os cientistas seguirem.

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